sábado, 9 de julho de 2011

SOBRE O AMOR

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Amar, pela psiquiatria, são 4 coisas:
1. A sexualidade, na medida em que implica atração instintiva pela outra pessoa, de prazer sensorial, de comoção psicológica;


2. A amizade, forma de unidade estável, afetuosa, compreensiva, colaboradora, que deve ser criada de modo generoso, já que não possuímos instintos que, postos em jogo, dêem lugar a uma relação deste gênero;


3. A projeção comunitária do amor (agape). O homem, para viver como pessoa, deve criar vida comunitária. O amor começa sendo dual e privado, mas abriga em si uma força interior que o leva a adquirir uma expansão comunitária. Isto acontece no dia do casamento, quando a comunidade de amigos e – no caso religioso – de fiéis acolhe o amor dos novos esposos;


4. A relevância e fecundidade do amor. O amor conjugal tem um poder singular para incrementar o afeto entre os esposos e dar vida a novos seres. Não há nada maior no universo do que uma vida humana e o amor verdadeiro por outra pessoa. Por isso o amor conjugal tem uma relevância singular, uma plenitude de sentido e um valor impressionantes.


Estes quatro elementos (sexualidade, amizade, projeção comunitária, relevância) não devem estar meramente justapostos, um ao lado do outro. Devem estar estruturados. Uma estrutura é uma constelação de elementos articulados de tal forma que, se um falha, o conjunto desmorona.


Agora podemos compreender de modo preciso o que é o erotismo. Consiste em isolar o primeiro elemento, a sexualidade, para obter uma recompensa passageira, e prescindir dos outros três. Essa separação puramente passional destrói a possibilidade de amor na raiz. Por isso é violento ainda que pareça cordial e terno.O exercício da sexualidade isolada interessa a seus próprios fins e prescinde da amizade. Na realidade, não ha amor pela outra pessoa; o que há é o desejo pelo prazer que é dado por alguns de seus atributos. Também a expansão comunitária do amor é perfeitamente dispensável. A vida de família, que o amor está chamando a promover, é ignorada. Na solidão de seus proveitos imediatos a outra pessoa é reduzida a mera fonte de satisfações para o egoísta.


Essa redução desconsiderada é violenta e sádica. A jura de amor eterno é palavra vã, pois o que se diz ser amor é simplesmente interesse de saciar a sua avidez erótica. 

 Extraído do blog do Pimom.

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